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sábado, 8 de junho de 2013

Seleção Martha Medeiros

Terminei de ler o livro “Poesia Reunida”, da Martha Medeiros. Em relação à autora, tem quem goste, tem quem deteste, tem quem rotule, mas eu me delicio quando me encontro em suas palavras. Por isso, selecionei algumas poesias para compartilhar na minha agenda virtual… Umas já são conhecidas, porém todas falam de mim!

sou uma mulher madura
que às vezes anda de balanço
sou uma criança insegura
que às vezes usa salto alto
sou uma mulher que balança
sou uma criança que atura

quando chegar aos 30
serei uma mulher de verdade
nem Amélia nem ninguém
um belo futuro pela frente
e um pouco mais de calma talvez
e quando chegar aos 50
serei livre, linda e forte
terei gente boa do lado
saberei um pouco mais do amor
e da vida quem sabe
e quando chegar aos 90
já sem força, sem futuro, sem idade
vou fazer uma festa de prazer
convidar todos que amei
registrar tudo que sei
e morrer de saudade
tenho urgência de tudo
que deixei pra amanhã
acho que não sou daqui
paro em sinal vermelho
observo os prazos de validade
bato na porta antes de entrar
sei ler, escrever
digo obrigado, com licença
telefono se digo que vou ligar
renovo o passaporte
não engano no troco
até aí tudo bem
mas não sou daqui
também
porque não gosto de samba
de carnaval, de chimarrão
prefiro tênis ao futebol
não sou querida, me atrevo
a cometer duas vezes o mesmo erro
não sou de turma 
a cerveja me enjoa
prefiro o inverno
e não me entrego
sem recibo
espelho, espelho meu
existe no mundo alguém
que reflita mais do que eu?
mesmo tendo juízo não faço tudo certo 
todo paraíso precisa um pouco de inferno
vestidos muito longos e justos incomodam
o beijo dos galãs não tem sabor
e Hollywood fica longe demais
do meu supermercado favorito
ser bela e calma, quanta inutilidade
mais vale um bom olhar profundo
e uma vida de verdade
dois filhos de cabeça boa
um marido bem tarado
uma empregada chamada Maria
cinema de mãos dadas
um salário legal no fim do mês
aquela viagem marcada
novela, trânsito, profissão
sexo, banho morno, musse de limão
me corrijam se eu estiver errada
a realidade é nossa maior fantasia
aventura não é escalar montanhas 
não é atravessar desertos
não é preciso bravura
aventura não é saltar de avião
não é descer cachoeira
não é preciso tontura
aventura não é comer bicho vivo
não é beber aguardente
não é preciso angustura
aventura não é morar em castelo
não é correr de ferrari
não é preciso frescura
aventura é tudo o que faz
uma pessoa tornar-se capaz
de abrir mão da loucura
aventura é ser mãe e pai
pudesse eu viver tudo o que imagino
nem sete vidas me dariam tanto fôlego
dois, três, quatro dormitórios
com suíte, jacuzzi e vista pro mar
closet, duas vagas na garagem
e um condomínio caro por mês
que me interessa granito, madeira-de-lei
lâmpadas halógenas e último andar
eu queria era morar num filme francês

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

RAPSODY

    Em 1977 conheci !  Nunca mais a vida fluiu na mesmice!



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

busca frenética




28/08/2008
Está escrito na fachada: "Isso é um lar".
De Xico Sá.
Noves fora o “homem de predinho antigo”, aquela criatura que adora um pé-direito alto, um sofá de época e uma luz indireta, o macho solteiro é um desastre no capítulo decoração. Tem lá o seu sofá velho, a sua tv, uma cama barulhenta, três ou quatro panelas _sem cabo_ encarvoadas pelo tempo, e copos de requeijão, muitos copos de requeijão, alguns deles ainda com um pedaço do papel do rótulo. Se brincar, o cara coleciona também os velhos copos de geléia de mocotó, um primor de utensílio “vintage”.
E quando a fofa, toda fina e fresca, nova namorada, chega lá no muquifo  com a sua garrafa de champanhe?! Procura, procura as taças, para fazer uma graça com o marmanjo, e nada. O jeito é beber Veuve Cliquot em copo de extrato de tomate. Quem mandou apaixonar-se por um macho-jurubeba autêntico, que vem a ser justamente o avesso do metrossexual, aquele mancebo da moda que se lambuza de creminhos da Lancôme e decora o loft, sim, ele mora num loft, de acordo com as tendências da revista “Wallpaper”.
“Uó-o-qué, rapaz?, seje homi”, diria meu amigo Rinaldo, lá no sítio Acauã, de Chã Grande, a terra do chuchu, agreste pernambucano.
Pior é quando ela tenta mudar tudo. E põe aquele seu quadro caríssimo e de grife numa sala que não tem nem mesmo um sofá que preste?!
 Um desastre.
A fofa, toda classe média metida a besta, não desiste nunca. Ai presenteia o bofe _sim, ela está doida e perdidinha pelo cabra!_ com uma batedeira prateada ultramoderna com 600 funções, que nunca será usada. Ai fica aquela batedeira high-tech fazendo companhia aos três pratos chinfrins e aos garfos tortos _como se o Uri Geller, aquele parapsicólogo que aparecia no “Fantástico” das antigas, tivesse jantado por lá ou feito faxina na área.
Ela começa a revirar geral, um deus-nos-acuda, numa casa onde ninguém havia mudado sequer uma planta de lugar. O reino vegetal, aliás, é outro ponto fraco do macho solteiro. Jarros, flores? Nem de plástico.
Na casa do homem solteiro típico, a utilidade triunfa sobre a estética. O cúmulo do utilitarismo. Sofá da tia-avó vira cama, como diz a minha amiga D., co-autora dessa crônica.  A cama vira sofá, a rede vira sofá e cobertor, o cobertor vira cortina preso à persiana...
A falta de cortina é outra marca registrada do desmantelo do cavaleiro solitário. Quando muito, papel filme.
 Abajur? De jeito maneira. Tosco no último, ele não tem cultura de luz indireta, nem nunca terá, esqueça.
Outro traço de personalidade do macho solteiro: tudo que chega até a cozinha vira tupperware _aquelas embalagens plásticas de lasanha comprada pronta, caixinha de entrega de comida chinesa ou japonesa, potes de sorvete...
Melhor assim do que as frescuras do ex da minha amiga D., a mesma rapariga acima citada. Ela entrou na casa dele e logo ouviu a advertência, em altos brados: “Não pisa de salto no meu carpete de madeira!”
“Nooooosssssa!,” arreganharia a bocarra o velho Costinha, se vivo fosse.
Xico Sá é cronista do Blônicas.
 Escrito por Blônicas às 19h10

domingo, 26 de agosto de 2012

"O que é fácil fazer, também é fácil não fazer. Se você quer mais, você deve se tornar mais. Não deseje que seja fácil, deseje se tornar melhor." Jim Rohn
Estou de volta ao trabalho.

DICA:

Não pese, e não seja um peso na vida de ninguém. Não aceita ser um fardo para ninguém! Seja leve, aja com leveza; leve paz, transmita paz.!  BJKS